
::::Isaac
Domingos......
Nasceu em 1951 - Recife - PE
Professor de Língua Portuguesa e
Literatura Latina (UERJ)
Sócio Fundador da APPERJ
Associação Profissional dos Poetas
do Estado do Rio de Janeiro.
Sócio Correspondente da APRL
Academia Petropolitana
Raul de Leoni.
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31.3.09

UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
O HOMEM PROBLEMÁTICO X HOMEM SISTEMÁTICO NA VISÃO POÉTICA DE RAUL SEIXAS
Isaac Domingos da Silva
Orientadora
Profª. Mary Sue
Rio de Janeiro
2008
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
O HOMEM PROBLEMÁTICO X HOMEM SISTEMÁTICO NA VISÃO POÉTICA DE RAUL SEIXAS
Apresentação de monografia ao Instituto A Vez do Mestre – Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Docência em Ensino Superior.
Por: . Isaac Domingos da Silva
AGRADECIMENTOS
A Deus, que me concedeu vida na terra para concluir esta monografia, pois desde 2004 venho adiando este projeto.
DEDICATÓRIA
Ana Beatriz, Abrahão, Denise e Pedro Ivo, filhos, esposa e neto.
Também Teko (Jessé), meu irmão, que em 1973, me chamou a atenção para a obra poética do Raul.
RESUMO
Quando ouvimos a expressão “maluco beleza” inevitavelmente nos vem à mente o cantor e compositor Raul Seixas.
Não estou certo de que isso significa tratamento pejorativo, mas creio que a idéia inicial dessa expressão não era prenhe de conteúdos problemáticos a que se propôs o autor de Metamorfose Ambulante.
Acostumamo-nos a ver e perceber Raul Seixas como um cantor de roque, quiçá mais um entre tantos, principalmente na década de 70 quando proliferou a música como forma de enfrentar a monotonia de tempos difíceis e sem direitos constitucionais. Nessa época muitos foram os compositores que se utilizaram da música, rebuscaram a sinédoque para protestarem contra os algozes do período soturno em que viveu o Brasil, a partir dos anos 60.
É bem de ver que não podemos desprezar a contribuição que esses artistas deram aos movimentos em prol da liberdade de expressão e a luta pelo restabelecimento da democracia, mas Raul Seixas, que viveu esse período, foi além de simplesmente protestar contra o regime de exceção. Raul criou com uma musicalidade impar um punhado de letras que não tratavam simplesmente de protestar contra os opressores, Raul falava acima de tudo contra o homem sistemático, aquele que, por interesse, por medo, por inépcia, se rende ao sistema e consegue se adaptar. Está claro que Raul entendia que é da natureza do homem ser dominador, jamais compreendeu como o homem podia ser submisso, dominado, prescindir da liberdade.
A partir de algumas letras de sua obra poética, porque não dizer filosófica, levarei à apreciação a sua mensagem de liberdade. E essa visão, que inicialmente foi passada como alucinações de um “maluco beleza” destituída de qualquer valor ideológico, hoje vive no inconsciente coletivo como algo que foi dito por um homem que viveu além do seu tempo.
METODOLOGIA
O material de pesquisa foi a discografia de Raul Seixas. A análise é tão somente no campo da linguagem, não há qualquer avaliação musical, não obstante nesse campo Raul ter passeado como exímio musicólogo, abrangendo em sua obra todos os ritmos, inclusive tendo sido oi precursor do RAP e do FUNK.
Também serviu de material de pesquisa o livro “O Baú do Raul Revirado - Seixas, Kika e Essinger, Silvio - Ediouro.
Dicionário de Ciências Sociais. IBGE.
Filosofia e Política Econômica: o Brasil do autoritarismo – Antonio Maria da Silveira
B RASIL NUNCA MAIS – Prefácio de D. Paulo Evaristo, Cardeal
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 08
CAPÍTULO I - O início, o meio e o fim 10
CAPÍTULO II - A busca, a certeza e o caminho 15
CAPÍTULO III – O preço da ousadia e o inconformismo 23 CAPÍTULO IV – Ser ou não ser e a compreensão do Eu 34
CONCLUSÃO 42
ANEXOS 43
BIBLIOGRAFIA 55
ÍNDICE 56
FOLHA DE AVALIAÇÃO 57
INTRODUÇÃO
1989 – Vinte e um de agosto, às nove horas, Raul Seixas é encontrado morto.
Teria falecido entre cinco e seis horas, de parada cardíaca. Seu corpo foi velado no Palácio de Convenções do Anhembi por milhares de fãs, todavia poucos amigos foram ao velório.
Assim desencarna aos quarenta e quatro anos um gênio da MPB. Quando morreu, Raul se encontrava no ostracismo. Em seu diário pessoal, teria reclamado disso. “Há quatro anos que venho engolindo meus sentimentos, minha arte, minhas emoções. Tem sido assustador!! Estou profundamente magoado por não ouvir minhas músicas tocando nas rádios, nem ser chamado para programas de televisão. Eles me esqueceram.” (1982 – O Baú do Raul, p. 47).
Era o preço que pagava por ser um homem inconformado com uma sociedade consumista, egocêntrica e acima de tudo, implacável com quem ousa lhe contestar.
Raul era irônico, sarcástico, um ser pensante, alguém que usava o palco como instrumento para alardear suas convicções, por isso não atendia às expectativas do sistema, que suga, explora e só admite títeres. Isso justifica o pacto dos donos da mídia para subjugá-lo e arrefecer-lhe o espírito. O que parece ter ocorrido, haja vista as circunstâncias de sua morte prematura.
Raul saía da vida para entrar para a história. Consumatus est. Sua morte é manchete em todos os jornais do país. Suas músicas são freneticamente tocadas em todas as rádios.
De lá para cá Raul continua cada vez, mas vivo na memória do povo brasileiro. Raul fez do palco o seu universo, o seu instrumento, o seu veículo de denúncia de uma sociedade, inexplicavelmente dividida entre dominados e dominadores. Nunca entendeu essa dicotomia, mas acima de tudo estranhava; não o dominador, mas a resignação do dominado.
Em seu cancioneiro podemos ver claramente a marca indelével do seu inconformismo.
É precípuo escopo desse trabalho exatamente mostrar, logicamente me valendo de informações contidas em seu diário pessoal, “O Baú do Raul”, lançado em 1992 e analisando suas música (letras), a maneira com que Raul combateu a resignação dos dominados.
CAPÍTULO I
O Início, o meio e o fim
Poderia começar esta dissertação a partir da manhã do dia vinte e oito de junho de 1945 e apresentar a trajetória do menino Raul Santos Seixas, nascido em Salvador. Certamente teria bastante material para concluir meu trabalho, mas quero falar de um Raul póstumo. Quero falar do legado de um gênio, que não suportou a mediocridade (“pegar um disco voador e ir embora”. – p. 16), de sua época, melhor dizendo, do mundo, pois a mediocridade que tanto o inquietou, até hoje prevalece.
É certo que esse Raul não tinha compromisso com a ortografia, nem com a gramática, basta pesquisar alguns de seus grandes sucessos para logo encontrar erros crassos que fazem qualquer gramático estremecer. Mas se atentarmos para sua obra poética veremos que tinha uma habilidade incomparável para lidar com os signos lingüísticos da língua portuguesa. Era mestre dos neologismos. Qualquer filólogo poderá concluir que, como era um grande leitor de obras literárias, seria apenas um copiador, de Guimarães Rosa, por exemplo. Mas tente colocar em uma redação, por mais que seja bem produzida, uma única palavrinha criada por Guimarães Rosa e verá o quanto desafinará do restante da redação. Raul reunia essa qualidade por vocação, quando queria uma palavra que pudesse representar seu pensamento sequer ia consultar a gramática ou dicionário. Maluquice não rima com insensatez, portanto só cabe em seu poema o neologismo “maluquez”. Metamorfose Ambulante não é só desmentir o que foi dito antes. Tem de desdizer. (ele usou disdizer).
“Eu nasci há dez mil anos atrás”. É pleonasmo vicioso, intolerável, mas não cabe outra forma. Se não fosse assim, seria como um verso de pé quebrado.
“Eu sou a mosca que pousou em sua sopa eu sou a mosca que chegou para lhe abusar... Eu sou a mosca no seu quarto a zumbizar”. Não cabe zumbir. Com que facilidade ele criava as palavras para expressar seu pensamento!
Esse Raul morreu sem ser entendido. Primeiro, como já disse era simplesmente tratado como maluco beleza. Seus protestos eram vistos como algo sem sentido, sem conseqüência. Nem o povo, nem os ditadores de plantão enxergavam em “Ouro de Tolo” qualquer manifestação contra o sistema. Parecia apenas um desabafo de um cantor que ao tentar a vida na cidade grande, teria alcançado o sucesso e apenas recordara que antes havia passado fome por três anos na Cidade Maravilhosa. A ditadura só se importou porque o povo, achando graça daquela composição maluca, sem pé e sem cabeça, tinha uma sonoridade diferente, era meio cantada meio falada, bem ao feitio do povão. O sucesso e não o conteúdo da letra chamou a atenção dos militares. Depois tinha uma tal de Sociedade Alternativa, que ninguém sabia ao certo o que era aquilo, mas falava em liberdade, direito... É melhor não arriscar. Pegaram-no e o despacharam para Nova Iorque.
Mas a irreverência de Raul rebuliu com o mercado fonográfico. O que hoje é comum em alguns artistas que não se deixam explorar pela indústria fonográfica foi insolitamente inaugurado por Raul. “Quando se quer entrar num buraco de rato... de rato você tem que transar”. Produziu conforme sua conveniência. “Uma segunda chance para Raulzito surge na forma de um convite de Evandro Ribeiro, diretor da gravadora CBS: voltar ao Rio para usar seus enciclopédicos conhecimentos de música como produtor fonográfico. E ele vai, carregando Edith, para cuidar dos discos de artistas populares à época como Jerry Adriani, Diana, Renato e Seus Blue Caps, Tony & Frankie e Sérgio Sampaio, capixaba que se revelaria cúmplice do baiano no seu plano de mudar a indústria pelo lado de dentro. Nos cadernos de composições de Raul começaria a ser alimentada uma revolução – e foi necessário apenas um pequeno cochilo da gravadora para que ela se concretizasse.”
É óbvio que Raul não poderia reunir forças para lutar contra um sistema tão bem organizado e arraigado na sociedade capitalista.
O preço que pagou foi alto. Ostracismo e a inevitável entrega ao vício. Morte prematura.
Raul tinha consciência de que estava sendo punido por que trazia uma mensagem nova para o mundo. Ainda quis reunir forças para lutar e isto se ver claramente em sua canção “Tente outra vez”, mas foi vencido.
Veja!
Não diga que a canção
Está perdida
Tenha em fé em Deus
Tenha fé na vida
Tente outra vez!...
Beba! (Beba!)
Pois a água viva
Ainda tá na fonte
(Tente outra vez!)
Você tem dois pés
Para cruzar a ponte
Nada acabou!
Não! Não! Não!...
Oh! Oh! Oh! Oh!
Tente!
Levante sua mão sedenta
E recomece a andar
Não pense
Que a cabeça agüenta
Se você parar
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!...
Há uma voz que canta
Uma voz que dança
Uma voz que gira
(Gira!)
Bailando no ar
Uh! Uh! Uh!...
Queira! (Queira!)
Basta ser sincero
E desejar profundo
Você será capaz
De sacudir o mundo
Vai!
Tente outra vez!
Humrum!...
Tente! (Tente!)
E não diga
Que a vitória está perdida
Se é de batalhas
Que se vive a vida
Han!
Tente outra vez!...
Esta canção é quase um elegia.
Após sua morte sua obra passou a ser observada por críticos, especialista e já redundou em inúmeras teses, tanto de mestrados como de doutorado. É curioso que o homem que sempre foi tratado como maluco beleza inspire material científico em tantas áreas de conhecimento.
O cancioneiro de Raul é sem dúvida um poço de onde ainda se retirará muita água cristalina.
“Eu devia estar contente
Porque tenho um emprego
Sou o dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros por mês”
A cultura da felicidade é algo muito forte no mundo ocidental. O homem tem como função precípua na sociedade apresentar-se feliz. Isso lhe é cobrado diuturnamente e de forma impiedosa, pois sem aparência de felicidade o homem não é aceito no seio da sociedade. Esse conceito induz à concepção de que o sucesso, o reconhecimento público tudo isso são fatores que devem fazer parte da busca permanente.
“Quando eu compus ouro de tolo os imbecis me chamaram de a besta do apocalipse”
Raul Seixas tem sido cantado em prosa e versos como o maluco beleza, um roqueiro que teria adotado o niilismo com forma de vida.
Bastam alguns minutos de navegação na internet para encontrar diversos site idolatrando o rei do rock brasileiro, todavia não é fácil encontrar qualquer análise literária ou filosófica do questionamento que propõe Raul em sua arte poética.
Este trabalho tem o precípuo escopo de resgatar a problemática apresentada na obra de Raul baseada na dicotomia oprimido versus opressor.
Raul não questiona sistema, não propõe em sua poética o extermino do dominador. Não se coloca como um questionador feroz contra o dominador, tampouco se propõe a defender o dominado. É comum na relação dominador e dominado estabelecerem-se políticas de defesa do oprimido, de incentivar a constante luta pelo poder. Ou a inversão da hegemonia. Raul em toda sua obra poética se coloca como um ser amargurado diante da resignação do dominado. Sua indignação passa pelo fato de questionar os fatores que contribuem para que um ser humano aceite de forma resignada o destino de conviver como ser dominado.
Mesmo quando ridiculariza o sistema, não o faz com o propósito de aniquilar as forças que a compõem e sim para ressaltar que esse sistema é dotado da total carência de sustentação. Ou seja, se sustenta mais pela resignação do dominado do que pela capacidade do dominador.
CAPÍTULO II
A busca, a certeza, o caminho
Não é precípuo escopo deste trabalho pesquisar a biografia de Raul Seixas, tampouco centrar a análise de suas letras, que invariavelmente abordam questões da vida, do ponto de vista cronológico, portanto não afirmo que essa ou aquela letra foi composta antes ou depois. A verdade é que sua produção literária apresenta uma gradação psicológica em que é através dela que se pode observar a inquietude desse gênio que pereceu pela própria genialidade.
É fácil observar que Raul tinha gosto pelos estudos filosófico e muito conhecimento literário das produções medievais.
O seu espírito inquieto foi buscar uma canção, belíssima e de grande significado místico de San Juan de La Cruz (1542-1591).
Aquella eterna fonte está ascondida.
¡Que bien sé yo do tiene su manida
aunque es de noche!
A versão de Raul
Eu conheço bem a fonte
que desce daquele monte
ainda que seja de noite
nessa fonte tá escondido
o segredo dessa vida
ainda que seja de noite
sei que são caudalosas as correntes
que regam céus, infernos, regam gentes
ainda que seja de noite
ainda que seja de noite
eta, fonte mais estranha
que desce lá da montanha
ainda que seja de noite
sei que não podia ser mais bela
que os céus e a terra que bebem dela
ainda que seja de noite
eu conheço bem a fonte
que desce daquele monte
ainda que seja de noite
porque ainda é de noite
no dia claro dessa noite.
Ao musicar esse poema (com adaptações) já se podia observar a preocupação que tinha Raul em produzir algo de qualidade que pudesse refletir a respeito de sua busca incessante a respeito da vida.
Nota: Raul nunca declarou este plágio.
Raul tinha visão de que somente ao busca do conhecimento lhe daria respostas para a sua angústia. Em uma de suas anotações - O Baú do Raul ele escreve: “Li a Bíblia vária vezes. Aprendi latim para ler Metamorfoses de Ovídio no original” (p20).
Em suas mais de 250 composições, é verdade que com parcerias, mas posso inferi que as letras eram de sua autoria, claramente demonstra o seu apreço pelo conhecimento, ainda que na sua música “Eu nasci há dez mil anos” pareça um tanto quanto prepotente, na verdade ele exalta a busca pelo conhecimento. Nessa letra ele discorre sobre os fatos que marcaram a vida da humanidade, mas é fácil perceber que não se trata apenas de um relato histórico, sua história é uma sinédoque bem arquitetada sobre a história.
Nota: Já vi livros de gramática utilizar esses versos como exemplo de hipérbole. É um equívoco, não obstante o pleonasmo vicioso, o que há neste verso é uma metonímia.
Eu nasci há dez mil anos atrás
Um dia, numa rua da cidade, eu vi um velhinho sentado na calçada
Com uma cuia de esmola e uma viola na mão
O povo parou pra ouvir, ele agradeceu as moedas
E cantou essa música, que contava uma história
Que era mais ou menos assim:
Eu nasci há dez mil anos atrás
e não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais (2x)
Eu vi cristo ser crucificado
O amor nascer e ser assassinado
Eu vi as bruxas pegando fogo pra pagarem seus pecados,
Eu vi,
Eu vi Moisés cruzar o mar vermelho
Vi Maomé cair na terra de joelhos
Eu vi Pedro negar Cristo por três vezes diante do espelho
Eu vi,
Eu nasci
(eu nasci)
Há dez mil anos atrás
(eu nasci há dez mil anos)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais (2x)
Eu vi as velas se acenderem para o Papa
Vi Babilônia ser riscada do mapa
Vi conde Drácula sugando o sangue novo
e se escondendo atrás da capa
Eu vi,
Eu vi a arca de Noé cruzar os mares
Vi Salomão cantar seus salmos pelos ares
Eu vi Zumbi fugir com os negros pra floresta
pro quilombo dos Palmares
Eu vi,
Eu nasci
(eu nasci)
Há dez mil anos atrás
(eu nasci há dez mil anos)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais (2x)
Eu vi o sangue que corria da montanha
quando Hitler chamou toda a Alemanha
Vi o soldado que sonhava com a amada numa cama de campanha
Eu li,
Eu li os símbolos sagrados de Umbanda
Eu fui criança pra poder dançar ciranda
E, quando todos praguejavam contra o frio,
eu fiz a cama na varanda
Eu nasci
(eu nasci)
Há dez mil anos atrás
(eu nasci há dez mil anos atrás)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais
não, não porque
Eu nasci
(eu nasci)
Há dez mil anos atrás
(eu nasci há dez mil anos atrás)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais
Não, não
Eu tava junto com os macacos na caverna
Eu bebi vinho com as mulheres na taberna
E quando a pedra despencou da ribanceira
Eu também quebrei e perna
Eu também,
Eu fui testemunha do amor de Rapunzel
Eu vi a estrela de Davi brilhar no céu
E praquele que provar que eu tou mentindo
eu tiro o meu chapéu
(eu nasci)
Eu nasci
(há dez mil anos atrás)
Eu nasci há dez mil anos atrás
(E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais.)
Raul tinha a exata noção do papel de um artista, principalmente na situação em que vivia, em plena ditadura. Seu amor pela liberdade, pela não opressão o leva a criar uma forma de vida que seja uma ruptura com todos os códigos ideológicos tão dominantes na época em que o mundo estava entregue a um processo de dominação aqui na América Latina. É verdade que o mundo dos anos 70 já se dava conta de que não podia prevalecer aquele sistema de globalização tão retrógrado e cruel.
Jovens do mundo inteiro gritavam vivas à liberdade.
Raul estava antenado neste mundo. Raul tinha certeza de que sua contribuição seria de fundamental importância para romper com os grilhões da ditadura.
Formulou os princípio de uma sociedade em que a liberdade era o único princípio a ser implantado para a humanidade. Isto lhe valeu alguns puxões de orelha dos militares. Foi torturado, conforme declara no livro o Baú do Raul e enviado para o exílio.
Segundo Tárik, seu manifesto exaltava tão somente direito do homem de errar, de viver na terra.
Sociedade Alternativa
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa
(Viva! Viva!)
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa
(Viva O Novo neon!)
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa
(Viva! Viva! Viva!)
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa...
Se eu quero e você quer
Tomar banho de chapéu
Ou esperar Papai Noel
Ou discutir Carlos Gardel
Então vá!
Faz o que tu queres
Pois é tudo
Da Lei! Da Lei!
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa...
"- Faz o que tu queres
Há de ser tudo da Lei"
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa
"-Todo homem, toda mulher
É uma estrela"
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa
(Viva! Viva!)
Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa
Han!...
:: Postado Por
:: 31.3.09 ::
10.3.09

DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Mulher ... mulher eva, mulher medéia,
Mulher penélope, mulher dalila, mulher afrodite,
Mulher amélia, mulher atenéia, mulher maravilha,
Mulher gostosa, mulher tentação, mulher de casa,
Mulher rendeira, mulher rezadeira,
Mulher carpideira, mulher parteira, mulher fatal,
Mulher pai, mulher protetora, mulher camponesa,
Mulher do próximo, mulher dama, mulher de ferro,
Mulher beata, mulher difícil, mulher de malandro,
Mulher peão, mulher macho, mulher operária,
Mulher... , simplesmente mulher.
8 de março de 1857, pela dignidade,
129 morreram queimadas.
... Até quando morrerão ?!!
Isaac Domingos da Silva
:: Postado Por
:: 10.3.09 ::
17.1.09

A monografia é composta de 60 páginas. Isto é uma compilação.
O HOMEM PROBLEMÁTICO X HOMEM SISTEMÁTICO NA VISÃO POÉTICA DE RAUL SEIXAS
Isaac Domingos da Silva
Rio de Janeiro
2008
Apresentação de monografia ao Instituto A Vez do Mestre – Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Docência em Ensino Superior.
Por: . Isaac Domingos da Silva
AGRADECIMENTOS
A Deus, que me concedeu vida na terra para concluir esta monografia, pois desde 2004 venho adiando este projeto.
DEDICATÓRIA
Ana Beatriz, Abrahão e Denise, filhos e esposa,
Também Teko (Jessé), meu irmão, que em 1973, me chamou a atenção para a obra poética do Raul.
RESUMO
Quando ouvimos a expressão “maluco beleza” inevitavelmente nos vem à mente o cantor e compositor Raul Seixas.
Não estou certo de que isso significa tratamento pejorativo, mas creio que a idéia inicial dessa expressão não era prenhe de conteúdos problemáticos a que se propôs o autor de Metamorfose Ambulante.
Acostumamo-nos a ver e perceber Raul Seixas como um cantor de roque, quiçá mais um entre tantos, principalmente na década de 70 quando proliferou a música como forma de enfrentar a monotonia de tempos difíceis e sem direitos constitucionais. Nessa época muitos foram os compositores que se utilizaram da música, rebuscaram a sinédoque para protestarem contra os algozes do período soturno em que viveu o Brasil, a partir dos anos 60.
É bem de ver que não podemos desprezar a contribuição que esses artistas deram aos movimentos em prol da liberdade de expressão e à luta pelo restabelecimento da democracia, mas Raul Seixas, que viveu esse período, foi além de simplesmente protestar contra o regime de exceção. Raul criou com uma musicalidade impar um punhado de letras que não tratavam simplesmente de protestar contra os opressores, Raul falava acima de tudo contra o homem sistemático, aquele que, por interesse, por medo, por inépcia, se rende ao sistema e consegue se adaptar. Está claro que Raul entendia que é da natureza do homem ser dominador, jamais compreendeu como o homem podia ser submisso, dominado; prescindir da liberdade.
A partir de algumas letras de sua obra poética, porque não dizer filosófica, levarei à apreciação a sua mensagem de liberdade. E essa visão, que inicialmente foi passada como alucinações de um “maluco beleza” destituída de qualquer valor ideológico, hoje vive no inconsciente coletivo como algo que foi dito por um homem que viveu além do seu tempo.
METODOLOGIA
O material de pesquisa foi a discografia de Raul Seixas. A análise é tão somente no campo da linguagem, não há qualquer avaliação musical, não obstante nesse campo Raul ter passeado como exímio musicólogo, abrangendo em sua obra todos os ritmos, inclusive tendo sido o precursor do RAP e do FUNK.
Também serviu de material de pesquisa o livro “O Baú do Raul Revirado - Seixas, Kika e Essinger, Silvio - Ediouro.
Dicionário de Ciências Sociais. IBGE.
Filosofia e Política Econômica: o Brasil do autoritarismo – Antonio Maria da Silveira
B RASIL NUNCA MAIS – Prefácio de D. Paulo Evaristo, Cardeal
INTRODUÇÃO
1989 – Vinte e um de agosto, às nove horas, Raul Seixas é encontrado morto.
Teria falecido entre cinco e seis horas, de parada cardíaca. Seu corpo foi velado no Palácio de Convenções do Anhembi por milhares de fãs, todavia poucos amigos foram ao velório.
Assim desencarna aos quarenta e quatro anos um gênio da MPB. Quando morreu, Raul se encontrava no ostracismo. Em seu diário pessoal, teria reclamado disso. “Há quatro anos que venho engolindo meus sentimentos, minha arte, minhas emoções. Tem sido assustador!! Estou profundamente magoado por não ouvir minhas músicas tocando nas rádios, nem ser chamado para programas de televisão. Eles me esqueceram.” (1982 – O Baú do Raul, p. 47).
Era o preço que pagava por ser um homem inconformado com uma sociedade consumista, egocêntrica e acima de tudo, implacável com quem ousa lhe contestar.
Raul era irônico, sarcástico, um ser pensante. Alguém que usava o palco como instrumento para alardear suas convicções. Por isso não atendia às expectativas do sistema, que suga, explora e só admite títeres. Isso justifica o pacto dos donos da mídia para subjugá-lo e arrefecer-lhe o espírito. O que parece ter ocorrido, haja vista as circunstâncias de sua morte prematura.
Raul saía da vida para entrar para a história. Consumatus est. Sua morte é manchete em todos os jornais do país. Suas músicas são freneticamente tocadas em todas as rádios.
De lá para cá Raul continua cada vez, mas vivo na memória do povo brasileiro. Raul fez do palco o seu universo, o seu instrumento, o seu veículo de denúncia de uma sociedade, inexplicavelmente dividida entre dominados e dominadores. Nunca entendeu essa dicotomia, mas acima de tudo estranhava; não o dominador, mas a resignação do dominado.
Em seu cancioneiro podemos ver claramente a marca indelével do seu inconformismo.
É precípuo escopo desse trabalho exatamente mostrar, logicamente me valendo de informações contidas em seu diário pessoal, “O Baú do Raul”, lançado em 1992 e analisando suas música (letras), a maneira com que Raul combateu a resignação dos dominados.
O Início, o meio e o fim
Poderia começar esta dissertação a partir da manhã do dia vinte e oito de junho de 1945 e apresentar a trajetória do menino Raul Santos Seixas, nascido em Salvador. Certamente teria bastante material para concluir meu trabalho, mas quero falar de um Raul póstumo. Quero falar do legado de um gênio, que não suportou a mediocridade (“pegar um disco voador e ir embora”. – p. 16), de sua época, melhor dizendo, do mundo, pois a mediocridade que tanto o inquietou, até hoje prevalece.
É certo que esse Raul não tinha compromisso com a ortografia, nem com a gramática, basta pesquisar alguns de seus grandes sucessos para logo encontrar erros crassos que fazem qualquer gramático estremecer. Mas se atentarmos para sua obra poética veremos que tinha uma habilidade incomparável para lidar com os signos lingüísticos da língua portuguesa. Era mestre dos neologismos. Qualquer filólogo poderá concluir que, como era um grande leitor de obras literárias, seria apenas um copiador, de Guimarães Rosa, por exemplo. Mas tente colocar em uma redação, por mais que seja bem produzida, uma única palavrinha criada por Guimarães Rosa e verá o quanto desafinará do restante da redação. Raul reunia essa qualidade por vocação, quando queria uma palavra que pudesse representar seu pensamento sequer ia consultar a gramática ou dicionário. Maluquice não rima com insensatez, portanto só cabe em seu poema o neologismo “maluquez”. Metamorfose Ambulante não é só desmentir o que foi dito antes. Tem de desdizer. (ele usou disdizer).
“Eu nasci há dez mil anos atrás”. É pleonasmo vicioso, intolerável, mas não cabe outra forma. Se não fosse assim, seria como um verso de pé quebrado.
“Eu sou a mosca que pousou em sua sopa eu sou a mosca que chegou para lhe abusar... Eu sou a mosca no seu quarto a zumbizar”. Não cabe zumbir. Com que facilidade ele criava as palavras para expressar seu pensamento!
Esse Raul morreu sem ser entendido. Primeiro, como já disse era simplesmente tratado como maluco beleza. Seus protestos eram vistos como algo sem sentido, sem conseqüência. Nem o povo, nem os ditadores de plantão enxergavam em “Ouro de Tolo” qualquer manifestação contra o sistema. Parecia apenas um desabafo de um cantor que ao tentar a vida na cidade grande, teria alcançado o sucesso e apenas recordara que antes havia passado fome por três anos na Cidade Maravilhosa. A ditadura só se importou porque o povo, achando graça daquela composição maluca, sem pé e sem cabeça, tinha uma sonoridade diferente, era meio cantada meio falada, bem ao feitio do povão. O sucesso e não o conteúdo da letra chamou a atenção dos militares. Depois tinha uma tal de Sociedade Alternativa, que ninguém sabia ao certo o que era aquilo, mas falava em liberdade, direito... É melhor não arriscar. Pegaram-no e o despacharam para Nova Iorque.
Mas a irreverência de Raul rebuliu com o mercado fonográfico. O que hoje é comum em alguns artistas que não se deixam explorar pela indústria fonográfica foi insolitamente inaugurado por Raul. “Quando se quer entrar num buraco de rato... de rato você tem que transar”. Produziu conforme sua conveniência. “Uma segunda chance para Raulzito surge na forma de um convite de Evandro Ribeiro, diretor da gravadora CBS: voltar ao Rio para usar seus enciclopédicos conhecimentos de música como produtor fonográfico. E ele vai, carregando Edith, para cuidar dos discos de artistas populares à época como Jerry Adriani, Diana, Renato e Seus Blue Caps, Tony & Frankie e Sérgio Sampaio, capixaba que se revelaria cúmplice do baiano no seu plano de mudar a indústria pelo lado de dentro. Nos cadernos de composições de Raul começaria a ser alimentada uma revolução – e foi necessário apenas um pequeno cochilo da gravadora para que ela se concretizasse.”
É óbvio que Raul não poderia reunir forças para lutar contra um sistema tão bem organizado e arraigado na sociedade capitalista.
O preço que pagou foi alto. Ostracismo e a inevitável entrega ao vício. Morte prematura.
Raul tinha consciência de que estava sendo punido por que trazia uma mensagem nova para o mundo. Ainda quis reunir forças para lutar e isto se ver claramente em sua canção “Tente outra vez”, mas foi vencido.
Veja!
Não diga que a canção/Está perdida/Tenha em fé em Deus/Tenha fé na vida/Tente outra vez!.../Beba! (Beba!)/Pois a água viva/Ainda tá na fonte/(Tente outra vez!)/Você tem dois pés/Para cruzar a ponte/Nada acabou!/Não! Não! Não!.../Oh! Oh! Oh! Oh!/Tente!/Levante sua mão sedenta/E recomece a andar/Não pense/Que a cabeça agüenta/Se você parar/Não! Não! Não!/Não! Não! Não!.../Há uma voz que canta/Uma voz que dança/Uma voz que gira/(Gira!)/Bailando no ar/Uh! Uh! Uh!.../Queira! (Queira!)
Basta ser sincero/E desejar profundo/Você será capaz/De sacudir o mundo
Vai!/Tente outra vez!/Humrum!.../Tente! (Tente!)/E não diga/Que a vitória está perdida/Se é de batalhas/Que se vive a vida/Han!/Tente outra vez!...
Esta canção é quase um elegia.
Após sua morte sua obra passou a ser observada por críticos, especialista e já redundou em inúmeras teses, tanto de mestrados como de doutorado. É curioso que o homem que sempre foi tratado como maluco beleza inspire material científico em tantas áreas de conhecimento.
O cancioneiro de Raul é sem dúvida um poço de onde ainda se retirará muita água cristalina.
“Eu devia estar contente
Porque tenho um emprego
Sou o dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros por mês”
A cultura da felicidade é algo muito forte no mundo ocidental. O homem tem como função precípua na sociedade apresentar-se feliz. Isso lhe é cobrado diuturnamente e de forma impiedosa, pois sem aparência de felicidade o homem não é aceito no seio da sociedade. Esse conceito induz à concepção de que o sucesso, o reconhecimento público tudo isso são fatores que devem fazer parte da busca permanente.
“Quando eu compus ouro de tolo os imbecis me chamaram de a besta do apocalipse”
Raul Seixas tem sido cantado em prosa e versos como o maluco beleza, um roqueiro que teria adotado o niilismo com forma de vida.
Bastam alguns minutos de navegação na internet para encontrar diversos site idolatrando o rei do rock brasileiro, todavia não é fácil encontrar qualquer análise literária ou filosófica do questionamento que propõe Raul em sua arte poética.
Este trabalho tem o precípuo escopo de resgatar a problemática apresentada na obra de Raul baseada na dicotomia oprimido versus opressor.
Raul não questiona sistema, não propõe em sua poética o extermino do dominador. Não se coloca como um questionador feroz contra o dominador, tampouco se propõe a defender o dominado. É comum na relação dominador e dominado estabelecerem-se políticas de defesa do oprimido, de incentivar a constante luta pelo poder. Ou a inversão da hegemonia. Raul em toda sua obra poética se coloca como um ser amargurado diante da resignação do dominado. Sua indignação passa pelo fato de questionar os fatores que contribuem para que um ser humano aceite de forma resignada o destino de conviver como ser dominado.
Mesmo quando ridiculariza o sistema, não o faz com o propósito de aniquilar as forças que a compõem e sim para ressaltar que esse sistema é dotado da total carência de sustentação. Ou seja, se sustenta mais pela resignação do dominado do que pela capacidade do dominador.
A busca, a certeza, o caminho
Não é precípuo escopo deste trabalho pesquisar a biografia de Raul Seixas, tampouco centrar a análise de suas letras, que invariavelmente abordam questões da vida, do ponto de vista cronológico, portanto não afirmo que essa ou aquela letra foi composta antes ou depois. A verdade é que sua produção literária apresenta uma gradação psicológica em que é através dela que se pode observar a inquietude desse gênio que pereceu pela própria genialidade.
É fácil observar que Raul tinha gosto pelos estudos filosófico e muito conhecimento literário das produções medievais.
O seu espírito inquieto foi buscar uma canção, belíssima e de grande significado místico de San Juan de La Cruz (1542-1591).
Aquella eterna fonte está ascondida.
¡Que bien sé yo do tiene su manida
aunque es de noche!
A versão de Raul
Eu conheço bem a fonte/que desce daquele monte/ainda que seja de noite/nessa fonte tá escondido/o segredo dessa vida/ainda que seja de noite/sei que são caudalosas as correntes/que regam céus, infernos, regam gentes/ainda que seja de noite/ainda que seja de noite/eta, fonte mais estranha/que desce lá da montanha/ainda que seja de noite/sei que não podia ser mais bela/que os céus e a terra que bebem dela/ainda que seja de noite
eu conheço bem a fonte/que desce daquele monte/ainda que seja de noite/porque ainda é de noite/no dia claro dessa noite.
Ao musicar esse poema (com adaptações) já se podia observar a preocupação que tinha Raul em produzir algo de qualidade que pudesse refletir a respeito de sua busca incessante a respeito da vida.
Nota: Raul nunca declarou este plágio.
Raul tinha visão de que somente ao busca do conhecimento lhe daria respostas para a sua angústia. Em uma de suas anotações - O Baú do Raul ele escreve: “Li a Bíblia vária vezes. Aprendi latim para ler Metamorfoses de Ovídio no original” (p20).
Em suas mais de 250 composições, é verdade que com parcerias, mas posso inferi que as letras eram de sua autoria, claramente demonstra o seu apreço pelo conhecimento, ainda que na sua música “Eu nasci há dez mil anos” pareça um tanto quanto prepotente, na verdade ele exalta a busca pelo conhecimento. Nessa letra ele discorre sobre os fatos que marcaram a vida da humanidade, mas é fácil perceber que não se trata apenas de um relato histórico, sua história é uma sinédoque bem arquitetada sobre a história.
Nota: Já vi livros de gramática utilizar esses versos como exemplo de hipérbole. É um equívoco, não obstante o pleonasmo vicioso, o que há neste verso é uma metonímia.
Eu nasci há dez mil anos atrás
Um dia, numa rua da cidade, eu vi um velhinho sentado na calçada
Com uma cuia de esmola e uma viola na mão
O povo parou pra ouvir, ele agradeceu as moedas
E cantou essa música, que contava uma história
Que era mais ou menos assim:
Eu nasci há dez mil anos atrás/e não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais (2x)/Eu vi cristo ser crucificado/O amor nascer e ser assassinado/Eu vi as bruxas pegando fogo pra pagarem seus pecados,/Eu vi,/Eu vi Moisés cruzar o mar vermelho/Vi Maomé cair na terra de joelhos/Eu vi Pedro negar Cristo por três vezes diante do espelho/Eu vi,/Eu nasci/(eu nasci)/Há dez mil anos atrás
(eu nasci há dez mil anos)/E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais (2x)/Eu vi as velas se acenderem para o Papa/Vi Babilônia ser riscada do mapa/Vi conde Drácula sugando o sangue novo/e se escondendo atrás da capa/Eu vi,/Eu vi a arca de Noé cruzar os mares/Vi Salomão cantar seus salmos pelos ares/Eu vi Zumbi fugir com os negros pra floresta/pro quilombo dos Palmares/Eu vi,/Eu nasci/(eu nasci)/Há dez mil anos atrás/(eu nasci há dez mil anos)/E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais (2x)/
Eu vi o sangue que corria da montanha/quando Hitler chamou toda a Alemanha/Vi o soldado que sonhava com a amada numa cama de campanha
Eu li,/Eu li os símbolos sagrados de Umbanda/Eu fui criança pra poder dançar ciranda/E, quando todos praguejavam contra o frio,/eu fiz a cama na varanda/
Eu nasci/(eu nasci)/Há dez mil anos atrás/(eu nasci há dez mil anos atrás)/E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais/não, não porque/Eu nasci/(eu nasci)/Há dez mil anos atrás/(eu nasci há dez mil anos atrás)
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais/Não, não/
Eu tava junto com os macacos na caverna/Eu bebi vinho com as mulheres na taberna/E quando a pedra despencou da ribanceira/Eu também quebrei e perna/Eu também,/Eu fui testemunha do amor de Rapunzel/Eu vi a estrela de Davi brilhar no céu/E praquele que provar que eu tou mentindo/eu tiro o meu /chapéu/(eu nasci)/Eu nasci/(há dez mil anos atrás)/Eu nasci há dez mil anos atrás/(E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais.)
Raul tinha a exata noção do papel de um artista, principalmente na situação em que vivia, em plena ditadura. Seu amor pela liberdade, pela não opressão o leva a criar uma forma de vida que seja uma ruptura com todos os códigos ideológicos tão dominantes na época em que o mundo estava entregue a um processo de dominação aqui na América Latina. É verdade que o mundo dos anos 70 já se dava conta de que não podia prevalecer aquele sistema de globalização tão retrógrado e cruel.
Jovens do mundo inteiro gritavam vivas à liberdade.
Raul estava antenado neste mundo. Raul tinha certeza de que sua contribuição seria de fundamental importância para romper com os grilhões da ditadura.
Formulou os princípio de uma sociedade em que a liberdade era o único princípio a ser implantado para a humanidade. Isto lhe valeu alguns puxões de orelha dos militares. Foi torturado, conforme declara no livro o Baú do Raul e enviado para o exílio.
Segundo Tárik, seu manifesto exaltava tão somente direito do homem de errar, de viver na terra.
Sociedade Alternativa
Viva! Viva!/Viva A Sociedade Alternativa/(Viva! Viva!)/Viva! Viva!/Viva A Sociedade Alternativa/(Viva O Novo neon!)/Viva! Viva!/Viva A Sociedade Alternativa/(Viva! Viva! Viva!)/Viva! Viva!/Viva A Sociedade Alternativa.../
Se eu quero e você quer/Tomar banho de chapéu/Ou esperar Papai Noel/Ou discutir Carlos Gardel/Então vá!/Faz o que tu queres/Pois é tudo/Da Lei! Da Lei!/Viva! Viva!/Viva A Sociedade Alternativa.../"- Faz o que tu queres/ Há de ser tudo da Lei"/Viva! Viva!/Viva A Sociedade Alternativa/"-Todo homem, toda mulher/É uma estrela"/Viva! Viva!/Viva A Sociedade Alternativa/(Viva! Viva!)
Viva! Viva!/Viva A Sociedade Alternativa/Han!.../Mas se eu quero e você quer
Tomar banho de chapéu/Ou discutir Carlos Gardel/Ou esperar Papai Noel
Então vá!/Faz o que tu queres/Pois é tudo/Da Lei! Da Lei!/Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa/Viva! Viva!/Viva A Sociedade Alternativa.../
"-O número 666/Chama-se Aleister Crowley"/Viva! Viva!/Viva! A Sociedade Alternativa/"-Faz o que tu queres/Há de ser tudo da lei"/Viva! Viva!/Viva! A Sociedade Alternativa/"-A Lei de Thelema"/Viva! Viva!/Viva A Sociedade Alternativa/"-A Lei do forte/Essa é a nossa lei/E a alegria do mundo"
Viva! Viva!/Viva A Sociedade Alternativa/(Viva! Viva! Viva!)...
O preço da ousadia e o inconformismo
Certamente Raul nasceu fora de sua época, nasceu antes de o mundo conhecer a luta pelo fim de qualquer preconceito e a luta contra a discriminação racial. Assim como tantos pagaram alto preço por ensejar essa bandeira, Raul, mais que os que vivendo seu tempo, sofreu mais, porque em sua alma não consentia viver um mundo tão insólito e tão cheio de preconceitos.
Suas músicas eram quase que inadmissíveis para sua época. Raul cria, não obstante se inspirar no Rock, um estilo próprio de escrever. Passeia por todos os ritmos e é o primeiro no Brasil misturar ritmos brasileiros com americanos criando uma sonoridade de beleza inigualável, mas suas letras ainda não são bem recebidas. Os anos dourados ainda permeavam os sonhos dos jovens que acreditavam no sucesso através da prosperidade, através do esforço individual, prevalecia o individualismo. Nesse ambi
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Isaac Domingos da Silva
:: 17.1.09 ::
22.12.08

P
A
PAI
NOEL
Quisera
vestir-me
de Papai Noel,
nesta noite. Exatamente
nesta noite de Natal. Nesta noite,
vestir-me de Papai Noel e sair em busca de
uma casa. Uma casa onde haja uma criança. Uma criança
a espera do bom velhinho. Esse velhinho, que teimei em brigar com ele.
E ele nunca me deu bolas -Nem as que eu pedi- e eu sempre o chamei de fantasma.
Cometedor
de crime
contra
a fé infantil.
Porque nunca
soube amar
a quimera
nem deixar
a fantasia
amainar minha
realidade. E, justamente agora, quisera
dizer: Como é duro não crer em Papai Noel.
Isaac Domingos
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Isaac Domingos da Silva
:: 22.12.08 ::

Conquistar sem sacrifício é triunfar sem glória
Eu tinha onze para doze anos quando conclui o primário. No dia da entrega do Boletim Escolar não compareci. Minha blusa de morim já estava rota, meus sapatos, santo Deus, estavam exageradamente boquiabertos! Andar de chinelas não era charmoso e sensual como insinuam, hoje, as havaianas. A gurizada - galera - como dizem atualmente, zoava gritando: Lá vai o jacaré! Boca de jacaré! E isso, confesso, me tirava do sério. Pior; não tinha um “presentinho” para minha professorinha, a derradeira daquele momento tão importante para minha incipiente vida: Concluir o Curso Primário.
Confesso que ficava cheio de inveja quando via um aluno entregar à professora uma lembrancinha, porque, invariavelmente, as professoras davam presentes aos alunos no dia das crianças – deviam ser muito bem remuneradas - e eu não me conformava de não poder retribuir.
Outros havia que também, tão pobres quanto eu, não davam presentes, mas não via em seus rostos a amargura, que estampava o meu, tão inconformado.
Ainda que essa reminiscência fique muito cansativa devo declarar que na minha turma tinha alunos paupérrimos – eu não era o único - mas também tinham alunos que se vestiam de tricoline, até de linho. Tinha a filha da dona da farmácia, tinha o filho do dono da padaria, tinha o filho do Dr..., médico famoso do bairro, tinha até neto de deputado. Todos nós estudávamos na Escola Pública República do Líbano.
Meu irmão foi buscar o meu Boletim Escolar, enquanto, em casa, eu aguardava ansioso o resultado. Não tinha certeza de que havia sido aprovado.
Pareceu uma eternidade... Meu irmão trouxe um livro: “Lembrança afetuosa de sua professora, Maria Anunciata Lattari – 22/12/62”. Precedeu à dedicatória a seguinte frase: Isaac, Conquistar sem sacrifício é triunfar sem glória. Até hoje não sei se foi uma exortação ou uma censura - cabe nas duas – o fato é que eu fiz dessa frase o meu talismã.
Estou certo de que a conquista, com ou sem sacrifício, é o resultado de um propósito. Sem o desejo de vencer, ainda que haja êxito, não há triunfo.
Feliz Natal e próspero Ano Novo.
Isaac Domingos – 22/12/2008
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Isaac Domingos da Silva
:: 22.12.08 ::
16.12.08

Parmênides de Eléia
Pouco se sabe sobre a vida de Parmênides. Alguns autores colocam o acme de sua existência no ano 500 a.C. outros em 475 a.C. Natural de Eléia, no sul da Itália, parece ter pertencido a uma família rica e de alta posição social. Supõe-se que em Eleía tenha conhecido Xenófanes. Segundo a tradição, seus primeiros contatos filosóficos forma com a escola pitagór4ica, especialmente com Ameinias.
O poema de Parmênides nos oferece – ao lado dos fragmentos de Heráclito – a doutrina mais profunda de todos o pensamento pré-socrático. Mas é também a de mais difícil interpretação. O poema divide-se em três partes: o prólogo, o caminho da verdade e o cominho da opinião. (Gerd. A. Bornheim (org.) – Os Filósofos Pré-Socráticos).
“... As palavras de Homero acerca de Zeus estavam certas quando o chamou “pai dos deuses e dos homens”. (Aristóteles – Política).
Na visão de Homero os homens não passariam de bonecos à mercê dos deuses e teriam, por isso, seu destino conduzido pelas moiras, o que criava uma aparência de estarem possuídos, ao qual os gregos chamaram "mania".
Para Sócrates este fato geraria quatro tipos de loucuras: a profética, em que os deuses se comunicariam com os homens possuindo o corpo de um deles, o oráculo. A ritual, em que o louco se via conduzido ao êxtase através de danças e rituais, ao fim dos quais seria possuído por uma força exterior. A loucura amorosa, produzida por Afrodite, e a loucura poética, produzida pelas musas, que vem a ser a divisão apresentada em aula. Dos atributos – mania e empiria:
Mania: Apolo, Dionísio, Musas e Eros.
Ainda que tenha sido o precípuo escopo de Parmênides apresentar sua convicção a respeito do ser: uno, eterno, não-gerado, imutável, os fragmentos que conhecemos é antes de tudo uma obra poética.
Os fragmentos do poema Da Natureza, como diz José Trindade Santos, passaram por inúmeras vicissitudes, até atingir a forma com que é hoje apresentado ao público. Ainda assim temos pelo menos três versões diferenciadas, mas que não comprometem o entendimento, todavia não obstante servi-me do livro os filósofos pré-socráticos como orientação ao trabalho, os comentários que tenciono apresentar terão por base o texto de José Trindade Santos.
Poema de Parmênides
Da Natureza
Canto introdutório
Fragmento 1
Os corcéis que me transportam, tanto quanto o ânimo me impele, conduzem-me, depois de me terem dirigido pelo caminho famoso da divindade, que leva o homem sabedor por todas as cidades. É o homem Parmênides predisposto a ser usado pela musa (via da loucura poética) Por aí me levaram, por aí mesmo me levaram os habilíssimos corcéis, puxando o carro, enquanto as jovens mostravam o caminho. Agora já é o poeta, que em transe viaja em direção a musa. É uma viagem etérea o mais possível se afastando do mundo, pois só distante é capaz de conceber seu propósito.O eixo silvava nos cubos como uma siringe, incandescendo (ao ser movido pelas duas rodas que vertiginosamente o impeliam de um e de outro lado), quando se apressaram as jovens filhas do sol a levar-me, abandonando a região da noite para a luz, libertando com as mãos a cabeça dos véus que a escondiam.Aqui o poeta já se prepara para ser mensageiro já consegue enxergar e discernir a noite do dia. O conhecido do desconhecido, a ignorância do saber e quem sabe o ser do não ser. aí está o portal que separa os caminhos da Noite e do Dia, encimado por um dintel e um umbral de pedra; o portal, etéreo, fechado por enormes batentes, dos quais a Justiça vingadora detém as chaves que os abrem e fecham. A ela se dirigiram as jovens, com doces palavras, persuadindo-a habilmente a erguer para elas um instante a barra do portal. Não é tarefa fácil, não é qualquer um que pode ser abduzido é preciso diligência e habilidade para que esses caminhos esses umbrais sejam abertos. E ele abriu-se, revelando um abismo hiante, enquanto fazia girar, um atrás do outro, os estridentes gonzos de bronze, fixados com pegos e cavilhas. Triunfou na tarefa pois conseguiu está diante da deusa.e não chegou apenas porque quis e sim porque foi escolhido, foi transportado por carruagens imortais. Por aí, através do portal, as jovens guiaram com celeridade o carro e os corcéis, e a deusa acolheu-me de bom grado, mão na mão direita tomando, e com estas palavras se me dirigiu: “Ó jovem, acompanhante de aurigas imortais, tu, que chegas até nós transportado pelos corcéis, Salve! Não foi um mau destino que te induziu a viajar por este caminho – tão fora do trilho dos homens* -, mas o Direito e a Justiça. Foi recebido entusiasmo, pois estava do bom caminho. Um caminho que não deixa ter dúvida. E que nem sempre é o caminho trilhado pelos homens. Terás, pois, de tudo aprender: o coração inabalável da realidade fidedigna e as crenças dos mortais, em que não há confiança genuína. Mas também isso aprenderás: como as aparências têm de aparentemente ser, passando todas através de tudo”.
*(Longe das sendas mortais) – (tão fora dos trilhos dos homens). Na primeira poder-se-ia dizer: um caminho distante, longe do caminho do homem. Na segunda é possível dizer que a referência é a impossibilidade do homem trilhar o caminho da verdade e da justiça.
Não creio que esteja equivocado em afirmar que o comportamento, social, religioso, político e filosófico do mundo grego, ou melhor dos aqueus, estava comprometido com a obra de Homero, pelo menos até o final do século VI a.C.
Homero teria coligido a maneira de pensar e de agir dos aqueus. Isso é evidenciado nas decisões dos guerreiros, (Os espartanos só se deslocavam em lua cheia), nos conceitos dos legisladores (Sólon e Licurgo), na concepção do domínio dos deuses sobre os homens bem como no comportamento dos núcleos familiares.
Parmênides não foge à regra encontra na poesia (uma das vias da mania, imposta ao homem, segundo Homero) o veículo que o leva ao encontro da deusa que lhe dará inspiração para indicar ao homem o caminho das trevas para a luz.
Usa o artifício, modelo construído por Homero, tanto na Ilíada quanto na odisséia, colocar-se à disposição dos deuses para relatar fatos que estão aprisionados em sua memória – aptidão própria dos poetas, ou seja, os acometidos da loucura poética.
Canta, ó Musa, a ira de Aquiles, filho de Peleu,...(A Ilíada – Canto I – Trad. Fernando C. de Araújo Gomes).
Musa, reconta-me os feitos do herói astucioso que muito peregrinou, dês que esfez as muralhas sagradas de Tróia;... Deusa nascida de Zeus, de algum ponto nos conta o que queiras. (Odisséia – Canto I – Tradução de Carlos Alberto Nunes)
É fácil observar que o poeta está a serviço de uma Musa. É ela que lhe dá a inspiração, lhe dá o direito de relembrar, fixar na memória dos homens, o que deve ser inolvidável.
É bem de ver que esse é modelo seguido por todos os grandes poetas que sucederam a Homero.
Parmênides – Da Natureza
“O poema de Parmênides é considerado o texto inaugural da filosofia ocidental.”
“Do ponto de vista estrito da filologia clássica, o Poema de Parmênides, traz em relevo a tradição da épica clássica, a começar pelos aspectos formais e até mesmo materiais.”
Virgílio - Eneida
...Faze-me lembrar, ó Musa, as causas, que divindade foi ofendida e porquê, incitada, a rainha dos deuses fez com que sofresse tantos perigos e enfrentasse tantos trabalhos um varão insigne pela piedade. Pois tanta ira em corações celestes?
Dante – A Divina Comédia
Nel mezzo del cammin di nostra vita
mi ritrovai per una selva oscura
ché la diritta via era smarrita.
Ahi quanto a dir qual era è cosa dura
esta selva selvaggia e aspra e forte
che nel pensier rinova la paura!
Camões – Os lusíadas
E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mi um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mi vosso rio alegremente,
Daí-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandiloco e corrente,
Porque de vossas águas Febo ordene
Que não tenham enveja às de Hipocrene.
Dai-me ~ua fúria grande e sonorosa,
E não de agreste avena ou frauta ruda,
Mas de tuba canora e belicosa,
Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
Dai-me igual canto aos feitos da famosa
Gente vossa, que a marte tanto ajuda,
Que se espalhe e se cante no universo,
Se tão sublime preço cave em verso.
Gonçalves de Magalhães – a confederação dos Tamoios
Oh sol, astro propício, que abrilhantas
Do criado universo altos prodígios;
Que aos bosques dás verdor, doçura aos frutos,
E os pétalos das flores vário esmaltas!
Oh sol, vital princípio, que da terra
O tenro germe da semente aqueces,
E o fecundas co’os teus benignos raios:
Luzeiro perenal, nume adorado
Dos inocentes filhos da Natura,
Que mal seu Criador, seu Deus conhecem!
Oh sol, acende-me hoje a mente ousada,
Que asas desprende em mais erguidos vôos.
Bibliografia
Gerd A. Bornheim (org.) – Os Filósofos Pré-Socráticos – Cultrix
Aristóteles – Política – Edição bilíngüe – Vega
Parmênides – Da Natureza – Trad., notas e comentários – José Trindade Santos – Ed. Loyola
R. Haddock Lobo – História antiga e Medieval - Edições Melhoramentos
Homero – A Ilíada – Trad. Fernando C. De Araújo Gomes – Edições de Ouro
Homero – Odisséia – Trad. Carlos Alberto Nunes – Edições Melhoramentos
Virgilio – Eneida – Trad. David jardim Junior – Edições de Ouro
Dante – A Divina Comédia – Susano
Luis de Camões – Os Lusíadas – Edição comentada
Gonçalves de Magalhães – A Confederação dos Tamoios – Secretaria de Estado de Cultura, 1994.
Glossário
Silvava – produzia som agudo
Siringe – laringe inferior das aves
Dintel – Verga de porta ou de janela, feita em diversas formas, e com pedra, tijolos, madeira ou metal.
Isaac Domingos da Silva
:: Postado Por
Isaac Domingos da Silva
:: 16.12.08 ::
16.9.08

Estamos novamente em período eleitoral e a tônica é a mesma. Todos os candidatos espalham o medo e o terror para apresentarem suas poções mágicas para a solução do problema. O resultado é: uma população amedrontada, sobressaltada sem o direito constitucional de ir e vir. Há vinte anos um candidato ao governo do Estado prometera acabar com a violência em seis meses. Não acabou mas em quatro anos destruiu todos os CIEPs construídos pelo seu antecessor, um projeto que poderia ter tirado das mãos dos produtores da violência milhões de crianças. Hoje poderíamos ter uma geração de homens aptos para exercerem a cidadania plena.
É claro que qualquer agressão física é violência inaceitável, mas isso não surge do nada é fruto das ações predatórias dos mensaleiros, dos sanguessugas e de todos que se apropriam do dinheiro público. Desvios de verbas da merenda escolar, da saúde, da educação têm de ser tratados como crimes inafiançáveis, hediondos e seus vilões devem ser punidos exemplarmente.
Precisamos inaugurar uma nova era. A era do voto consciente. Quem vende seu voto vende o seu direito de desejar um país sem violência. Quem se abstém de analisar a vida pregressa do seu candidato contribui para desmoralização das instituições democráticas. Pense nisso!
A violência que nos apavora é a violência tingida de sangue, é a violência que nos tira bens materiais, mas há a violência surda, muda, absurda que não é estampada diariamente nas páginas matutinas, que mutila almas, que rouba a infância de milhões de crianças submetidas à exploração sexual, submetidas a trabalho escravo, que vivem à mingua de qualquer direito humano.
Um pedacinho dessa violência está sendo mostrada nas telas dos cinemas em "Anjos do Sol", um filme de Rudi Lagemann e quem assina a Direção de Artes é Levi Domingos.
Isaac Domingos da Silva
:: Postado Por
Isaac Domingos da Silva
:: 16.9.08 ::
12.8.08

AS CLASSES DE PALAVRAS
substantivo - Nomeia os seres em geral. São, portanto, substantivos:a) os nomes de coisas, pessoas, animais, vegetais lugares;b) os nomes de estados, ações, qualidades, tomados como seres. O filho sábio alegra a seu pai, mas o insensato é a tristeza de sua mãe. Varia em gênero, número e grau.
adjetivo - Caracteriza o substantivo, indicando atributo, estado ou modo de ser A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira. Varia em gênero, número e grau.
artigo Precede o substantivo, determinando-o de modo vago ou preciso, indicando o gênero e o número. Filho meu, ouve o ensino de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe. Varia em Gênero e número.
pronome Substitui ou acompanha o substantivo, relacionando-o a uma das pessoas do discurso. Filho meu, atenta para as minhas palavras; Varia em gênero, número e pessoa.
numeral Indica a quantidade exata de seres, ou a posição que o ser ocupa numa série. Há três coisas que são maravilhosas demais para mim,... Pode variar em gênero e número.
verbo Exprime um processo situado no tempo. Esse processo pode ser uma ação, um estado, um fenômeno ou uma mudança de estado. Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias,... Varia em número, pessoa, tempo, modo e voz.
advérbio Modifica o verbo, o adjetivo ou um outro advérbio, exprimindo uma circunstância. Filho meu, guarda as minhas palavras e conserva dentro de ti os meus mandamentos. A grande maioria não varia.
Preposição Relaciona dois termos de uma oração, subordinando um ao outro. Quem anda com os sábios será sábio, Não varia.
Conjunção Liga duas orações ou dois termos da oração que exerçam a mesma função. mas o companheiro dos insensatos se tornará mau. Não varia.
interjeição Exprime sentimentos e emoções instantâneos. Oh! que bom conhecê-los Não varia.
:: Postado Por
Isaac Domingos da Silva
:: 12.8.08 ::
11.7.08

ALPINISTA
Eu sou alpinista.
Eu sou alpinista ? !
Sou.
Adoro escalar
O monte vênus. (1976)
:: Postado Por
Isaac Domingos da Silva
:: 11.7.08 ::
28.4.08

EPITÁFIO DE UM BANERJANO
Primeiro foram demitidos os que já eram aposentados.
E eu achei foi bom, afinal para que serve esta velharia ?
Depois foram os que trabalhavam nos gabinetes.
E eu aplaudi, afinal todos eram apadrinhados.
Também demitiram os funcionários de outros Estados.
E eu achei correto, afinal antes eles do que eu.
Mais tarde acabaram com os estagiários.
E eu achei normal, afinal meu filho não é um estagiário.
Demitiram também todos os encampados.
E eu concordei inteiramente, afinal eu sou um concursado.
Por fim demitiram os concursados.
Para quê um Banco com tão poucos funcionários ?
Aí eu me toquei, mas já era tarde demais.
Afinal, aqui jaz um conscursado. (1995)
:: Postado Por
Isaac Domingos da Silva
:: 28.4.08 ::
21.3.08

CELEBRAÇÃO DA PÁSCOA
Bem antes dos cristãos e até mesmo dos hebreus, já se comemorava a páscoa. A data coincide com o equinócio da primavera. É o momento em que o dia e a noite se igualam em duração. Para os povos nômades da antiguidade isso aparecia associado ao fim das agruras do inverno e ao início da fase fértil do pastoreio. A celebração, que chamar-se-ia mais tarde páscoa, se dava em torno do sacrifício de um cordeiro. Seu sangue untava os paus da tenda e a carne, assada, era devorada por inteiro. O objetivo era afastar as ameaças e desastres e também augurar fecundidade ao rebanho.
“Quando vossos filhos vos perguntarem: Que rito é este? Respondereis: é o sacrifício da Páscoa ao Senhor, que passou por cima das casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu os egípcios e livrou as nossas casas. Então, o povo se inclinou e adorou. E foram os filhos de Israel e fizeram isso; como o Senhor ordenara a Moisés e a Arão, assim fizeram.” (Êxodo: 12. 26-28).
Segundo a Bíblia, Deus teria ordenado a Moisés a instituição de uma celebração, que chamou de páscoa, determinando o dia 14 do mês de abibe (nisan) do calendário judaico, que cai entre março ou abril do calendário gregoriano.
A última Ceia que Jesus comeu com os seus discípulos foi uma refeição de Páscoa. (Mc 14.12).
Os primeiros cristãos respeitaram a Páscoa na mesma data e com os mesmos ritos dos judeus. A palavra Páscoa tem origem na palavra hebraica Pessach, transição. Mas, por volta do século II, a necessidade de demarcar fronteiras com o judaísmo já tinha começado a deslocar a cerimônia cristã para o primeiro domingo depois da data judia. Em Jerusalém, a diferenciação tardou e só veio a ocorrer em fins do século IV. Junto com ela, mudou a associação do culto - já não mais à fuga dos judeus do Egito, e sim à paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.
A Páscoa cristã manteve o sacrifício do cordeiro pascal, cujas marcas ainda são visíveis em algumas celebrações modernas. Um padre abençoava o animal antes do sacrifício. Mais tarde o cordeiro transformou-se em empadinhas de carneiro, servidas depois da missa.
Enquanto a tradição judaica da Páscoa se modificava, misturava-se também com outras crenças, de outros povos também cultuadores do equinócio. Foi por onde se intrometeram os coelhos e os ovos - ambos símbolos clássicos da fertilidade.
Entre os fenícios antigos, a deusa da fertilidade - e do sexo - era Astarte, ou Istar. E trazia em suas mãos um ovo e uma lebre. O culto da primavera incluía também sacrifícios, só que humanos, de crianças e adolescentes.
Quanto aos ovos, a Igreja Católica oficializou-os como símbolo da ressurreição de Cristo no século 18. Mas são um símbolo de fertilidade extremamente difundido, adotado também pelos antigos gregos e romanos, além dos judeus: ovos cozidos são o primeiro prato do Seder, a ceia da Páscoa judaica (os chineses também têm uma tradição antiqüíssima de presentear ovos na primavera, mas não há evidências de conexão entre esta prática e as das culturas europeu-mediterrâneas). Também entre os eslavos (russos, ucranianos) eles aparecem - com o nome de pessankas e belamente pintados - em rituais de primavera vindos de tempos remotos. As pessankas impulsionam as colheitas, curam pessoas, trazem dinheiro, ajudam o parto e a lactação das vacas...
Uma prática semelhante, também com ovos cozidos e coloridos, aparece na Alemanha protestante do século 16, segundo os historiadores da Páscoa. Eles queriam que as crianças só comessem seus Oschter-Haws depois do fim do jejum da Quaresma. Colocavam-nos então em ninhos feitos nos chapéus dos pequenos, para devoração no dia da Páscoa.
Aparentemente, foi esta tradição que emigrou para a Pensilvânia, na América, por volta de 1700. E foi o Novo Mundo que agregou um novo elemento a tanto sincretismo, fornecendo o chocolate para os ovos da Páscoa modernos. Estes eram ovos de verdade, de galinha, até o século 19. A nova matéria-prima foi introduzida, na Alemanha, em 1828, e difundiu-se rapidamente, em ovos muito maiores, mais coloridos e saborosos que os das simples galináceas.Ao degustar o seu ovo da Páscoa, neste domingo, você estará devorando o tatatatatataraneto de um cordeiro do Oriente Médio de quatro mil anos atrás, a libertação dos hebreus, o sacrifício do cordeiro de Deus e acima de tudo o amor de Deus por nós.
Que o supremo artífice, neste domingo, inunde nossos corações de fé, esperança e amor.
2008/03/21 – Isaac Domingos da Silva
Este texto é compilação de matéria assinada por Bernardo Joffily retirado da internet do site www.vermelho.org.br
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:: 21.3.08 ::
20.2.08

Rio de Janeiro, 16 de fevereiro de 2008.
Carta Aberta
Ao
Excelentíssimo Senador e preclaro companheiro,
Cristovam Buarque
V.Exª tem prestado relevante serviço ao povo brasileiro com essa obstinação pela educação. O périplo de V. Exª, durante a campanha presidencial, chamada pelos detratores de campanha de uma nota só, já foi uma vitória para o PDT, que teve, além de um candidato, um arauto de Leonel Brizola pelo Brasil a fora, por isso sou seu admirador.
Leio sempre seus excelentes, como soem ser, artigos publicados, mas, data vênia, quero discordar desse “Você, educacionista” publicado em O Globo deste sábado.
V.Exª enaltece diversos empresários e ou donos de fundações, que lutam “obstinadamente” pela educação, mas se esquece de informar que os mesmos dispõem de incentivos fiscais e, incentivos fiscais é renuncia tributária. Perto de um bilhão, por ano, vão para a produção cultural como incentivo e isso pressupõe que o governo busque fontes compensatórias.
“O que faz com que um projeto receba dinheiro público não é um critério público, é um critério privado.” (Yacoff Sarkovas – Revista Época, 30/05/05).
Na prática é o povo que paga esse mecenato.
O SESC e todos os outros “S”, dispõem de arrecadação tributária. Um banco que declara lucro de oito bilhões por trimestre pode destinar, e conseqüentemente abater do imposto devido, até 6% para produção cultural. Isso significa perto de cem milhões que o governo deixa de arrecadar. Uma empresa que aparece no início de um filme como patrocinadora, além da autopromoção, pode deduzir do imposto a pagar até 124% do que investiu na produção. (Lei Rouanet).
Poderia dizer mais sobre os investimentos caiados de filantropia, mas fico por aqui, apenas sugiro a V. Exª que quando conseguir “aurelizar” o vocábulo educacionista também conste o verbete: individuo que promove a educação através de incentivos fiscais.
Saudações Pedetistas
Isaac Domingos da Silva –isaacdomingos@globo.com
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8.2.08

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5.2.08

Viradouro ou o direito de espernear
Sei que nada sei de carnaval, exceto que, carnaval é sinônimo de carnaval, por isso os desfiles podem servir para protestar, evocar, adular e relembrar. O direito da livre expressão é exatamente a liberdade que todos têm de retratar os fatos de acordo com suas convicções, mas o direito de cada um se encerra quando começa o direito de outrem, por isso nada mais essencial que um árbitro para decidir um conflito e isso sempre gerará polêmica, que é exatamente o inalienável direito de dizer, consagrado por Voltaire.
Eu nunca vi qualquer manifestação artística ou documental amontoando os corpos das vítimas do atentado de onze de setembro, nem o amontoado de corpos dos milhões de índios que foram dizimados nas américas colonizadas, nem dos corpos de milhões de negros que pereceram durante a escravidão, nem das vidas ceifadas em conflitos mundiais, só na segunda guerra mundial foram quarenta milhões. É natural que todos os povos defendam a memória de seus mortos, mas se esses genocídios fossem, diuturnamente, expostos à execração da humanidade, quem sabe correríamos menos riscos de reincidência. Não obstante os gritos do inconsciente coletivo contra o holocausto, infelizmente não têm sido suficientes para evitar que milhões de vidas continuem perecendo em virtude da intolerância, política, ideológica, religiosa e comercial do imperialismo que assola o mundo.
É muito provável que a exposição de cadáveres não seja o caminho para dar fim à banalização da vida mas é imperativo que todos os veículos de manifestação cultural se ocupem de promover a permanente indignação contra todo e qualquer crime motivado pela discriminação. 03/02/08 (Isaac Domingos da Silva)
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12.1.08

Sou chato
Você me ver passando
Porque ficar é pouco.
Você me ver cantando
Porque chorar é pouco.
Você me ver falando
Porque calar é pouco.
Você me ver sorrindo
Porque irar-se é pouco.
Você me ver parando
Porque ninguém agüenta mais
A minha rabugice.
Como eu sou chato...
“Até tu ego meu?”
Desisto...
06/08/2007 – 22:53
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25.11.07

CADA VEZ MAIS ME CONVENÇO DE QUE O CONHECIMENTOS DA VERDADE É O ÚNICO CAMINHO PARA LIBERDADE.
NÃO HÁ MORTE QUE NÃO VENHA DE SURPRESA.
QUANTO MENOS SE TEM A PERDER,
MAIS SE TEM A GANHAR.
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:: 25.11.07 ::
7.10.07

Fidelidade Partidária
Assim falou Jesus Cristo: “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?”
A fidelidade partidária deveria ser cláusula pétrea na constituição do Brasil, por isso tem sido tão festejada a decisão do STF, mas não tenho dúvida de que a ênfase que tem dado os meios de comunicação ao fato tem motivação diversa da real necessidade de uma reforma política, urgente e profunda.
Num país com mais de quarenta agremiações - algumas ditas de aluguel, outras que mudam de posição apenas porque não estão no poder – qualquer decisão que prescinda de mudança radical na atual organização partidária, carece da essencialidade.
Como pode um partido arvorar-se do direito de um mandato se no passado acolheu parlamentares infiéis. Isto é farisaísmo.
Com tantas coligações inexplicáveis – No Rio de Janeiro nas eleições de 2006 o DEM se coligou com o PPS (leia-se PFL e Partidão) – é muito difícil decidir contra ou a favor dos infiéis. Não raramente, é impossível saber se é a direção partidária ou se é o parlamentar - que mudou de sigla - quem traiu os ideais por que pugnavam. Como pode um partido que ajudou a criar a CPMF hoje ser contrário a sua permanência? Trata-se apenas de manobra, sem qualquer ideologia ou respeito ao eleitor, para inviabilizar as ações do governo atual. O que dizer de um partido que combateu ferrenhamente esse draconiano imposto, hoje se pôr a favor de sua continuidade? Trata-se de falta de compromisso com o que pregou quando não era governo. Afinal quem trai? O parlamentar que vota coerentemente com sua trajetória política, descumprindo orientação da cúpula partidária, ou aquele que; por conveniência do poder; ou de estar na oposição, muda de opinião como quem muda de casaca.
Que deve fazer um parlamentar, de vida ilibada, sem qualquer conspurcação, quando sofre retaliação dentro de sua agremiação? Permanecer nela para não perder o mandato?
O eleitor não vota em partido, vota em personalidade. Em quem votou o eleitor paulista, em Clodovil Hernandes ou no PTC?
Pode um partido mudar de posição? Pode. Mas isso só é legítimo se for deliberado por uma assembléia de afiliados. Partido segundo o dicionário Aurélio é: Organização cujos membros programam e realizam uma ação comum com fins políticos e sociais. Associação de pessoas unidas pelos mesmos interesses, ideais, objetivos.
Está longe de se achar que o STF tenha iniciado uma reforma política. Falta muito, falta muito. Isaac Domingos da Silva – 07/10/2007.
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:: 7.10.07 ::
29.9.07

Quem matou Taís
Depois que minha filha me disse que uma pesquisa na internet indicou que 84% da população brasileira tinha como principal interesse saber quem matou Lineu, achei que não poderia ficar de fora dessa estatística.
Sábado decidi assistir à reprise do último capítulo da novela, não obstante todos os matutinos ocuparem suas primeiras páginas para divulgarem a notícia.
O que vi foi deprimente. Não pelas cenas de violência mas pela violência de utilizarem nas gravações uma criança, que estampava no rosto o pânico.
Lamento que os formadores de opinião, que dispõem de espaço na mídia, não condenem, veementemente, essa violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente.
Isto foi em meados de 2004. Agora que a população brasileira está ansiosa para descobrir quem matou Taís – a gêmea má de Paraíso Tropical – me ocorreu reler esta carta e constatar que o principal produto comercializado pela mídia é a violência. Quando não dispõe de fato real usa a ficção para confinar as famílias em torno de um aparelho de TV, que parece não saber mais viver sem conviver com a violência. A conseqüência é insana. O que vemos é uma população empedernida, quase dependente da violência, fazendo dela sua própria razão de viver. E lá se vão os valores da fraternidade.
Os jornais de hoje falam de uma platéia, que delira com as cenas de tortura de um filme que ainda não foi lançado mas já é sucesso de audiência, justamente pelo tema que aborda. A violência. (26/09/2007)
Isaac Domingos da Silva
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Isaac Domingos da Silva
:: 29.9.07 ::
30.8.07

Violência Gera violência
“Gentileza gera gentileza”. Por anos a fio Gentileza espalhou pela cidade o seu grito de paz, seu gesto de amor e a sua obstinação contra a violência e é, por ironia, exatamente a população que presenciou, durante longos anos, a pregação do profeta, que hoje vive amedrontada, acuada pela violência.
Gentileza em sua frase singela dizia que violência é ao mesmo tempo causa e efeito.
Os meios de comunicação costumam tratar a violência como uma fera, que hiberna, e, principalmente nos períodos eleitorais, sai da toca, faminta e pronta para devorar os cidadãos cariocas.
Durante as campanhas, os jornais se enchem de fatos trágicos que depois desaparecem. Parece que a paz voltou a reinar. Ledo engano. E é exatamente isso que também compõe o quadro da violência. Sua utilização por conveniência.
Um arrastão assusta e é uma grande violência. Igualmente é violência os desvios de verbas públicas. Só que os jornais os estampam sem o rótulo da violência.
Há a violência motivada pelo submundo, pela casta dominante e pelo poder econômico. Essa jamais se acabará enquanto prevalecer os sistemas de dominação e passará sempre para as gerações futuras como história: Segunda Guerra Mundial. 55 milhões de mortos, 35 milhões de mutilados, 20 milhões de órfãos, 190 milhões de refugiados etc.
Mas há também uma violência que impregna nosso dia-a-dia, que podemos mitigá-la, quiçá evitá-la, porque é uma violência sem motivação, sem cabimento. Qualquer estatística demonstra que 80% dos atos violentos são praticados por familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho. Segundo a UNICEF 18 mil crianças e adolescentes são espancados diariamente no Brasil por familiares e isto é a principal causa de morte de jovens entre 5 a 19 anos.
Exceto a possibilidade de tratar-se de um tipo de doença social, não há justificativa para tanta agressividade. Quantos não saem de casa sem antes se persignarem e bastam entrar em seus carros para assumirem atitudes agressivas. O resultado, parodiando o profeta Gentileza, só pode ser: Violência gera violência.
Vamos refletir sobre o que podemos fazer para diminuirmos a violência, sem sentido, sem justificativa, sem causa e sem ideologia.
Quem sabe prestemos atenção na música da Angélica que diz: “Há palavras mágicas que tem o poder maior que abracadabra…”. (ids-23/11/04)
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Isaac Domingos da Silva
:: 30.8.07 ::
19.7.07

À WALTER FERREIRA
Você nem precisa ser
Meu melhor amigo.
Você já é meu melhor
Exemplo de amigo. (1991)
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Isaac Domingos da Silva
:: 19.7.07 ::
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