
::::Isaac
Domingos......
Nasceu em 1951 - Recife - PE
Professor de Língua Portuguesa e
Literatura Latina (UERJ)
Sócio Fundador da APPERJ
Associação Profissional dos Poetas
do Estado do Rio de Janeiro.
Sócio Correspondente da APRL
Academia Petropolitana
Raul de Leoni.
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17.6.05

Ilações
Quisera falar de amor
E congeminei
Dele não se fala.
É tão intenso quando há,
Que dele não se cogita.
Não se preocupa ninguém
Do amor que vive.
E quando haurido,
Falar de quê ?
Amor não é indelével,
(porque não se percebe).
É sempre perfunctório,
Ainda que infindo
Quando se vai,
Falar de quê ?
Falar do que não há,
-Não há porquê.
Quisera falar do amor
E falava das cinzas da fogueira. (1986)
:: Postado Por
Isaac Domingos da Silva
:: 17.6.05 ::
3.6.05

Salvo por uma abóbora
Homenagem a Ivo Domingos da Silva - (1927-1997)
Meu pai nasceu na Estacada, 3º Distrito de Mamanguape (terra onde apenas o cardo medra).
Conta que olhou para o céu; o sol estava a pino. Olhou para o chão; A terra rachada e esturricada. Seu coração bateu forte, bateu mais que pestana de assombrado. Olhou para o pai - meu avô, mestre Toinho - e disse: Pai isto aqui não é terra para se viver, vida pior não vou encontrar em lugar nenhum do mundo.
D. Mocinha, minha avó, olhou para meu pai: Filho, Nosso Sinhô Jesui Cristo e Padim padi Ciço ti proteji, e meu pai partiu. Arribou e foi parar no Recife.
Só no mundo foi para as bandas do Cajueiro, lá chegou no dia 2 de fevereiro de 1947. Desta data ele nunca se esqueceu.
Em Cajueiro perambulou em busca de emprego, e nada.
Se ao menos encontrasse um conhecido ... (era tudo que sua mente congeminava, debaixo do sol ardente).
Andava e andava.
De tanto vagar encontrou uma plantação de abóboras. Estava tão obstinado que ao vê-la, tão grandes que eram, julgou que via centenas de bois deitados no pasto.
Aproximou-se e constatou que eram jerimuns enormemente grandes. Foi aí que lhe veio uma grande idéia.
- Vou pernoitar aqui, dentro de uma dessas abóboras.
Tirou do alforje um cutelo, abriu uma pequena "janela" no jerimum, tirou a polpa e deixou apenas a casca oca e se alojou.
Alquebrado dormiu feito criança.
Manhã seguinte meu pai saiu em busca de uma ocupação, de noite dormia na casa que a natureza lhe dera. Fez isso durante algum tempo.
Conseguiu trabalho em uma construção de casas, hoje a Vila do Cajueiro.
Papai progrediu. Três anos depois estava casado, morou no Alto do Céu em uma casa de taipa coberta de sapê, (onde nasci).
Quando nasci, papai decidiu vir para o Rio de Janeiro.
Aqui nasceram meus irmãos, somos treze, fora os doze, que não puderam ouvir esta estória. (Apud Manhã de Setembro)
:: Postado Por
Isaac Domingos da Silva
:: 3.6.05 ::
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